quinta-feira, 20 de julho de 2017







o suicida é uma pessoa 
que mesmo sendo tachada de covarde
tem que ser respeitada
teve coragem de dar fim
numa coisa que todo mundo 
tem medo de perder
a vida.

quinta-feira, 6 de julho de 2017






o que é estar sozinho? sozinho num ônibus cheio, numa festa lotada, 
num relacionamento, em casa entocado no quarto enquanto a família 
finge ser feliz na sala de estar, sozinho consigo mesmo. enfim, o que é estar só? 
algo físico, ou uma mera sensação social? quase sempre veem a solidão como algo ruim, 
como uma mera ode ao isolamento, ou uma não adequação as convenções sociais. 
parecem não perceber que é na solidão que nos percebemos, é a partir do ato de estar só, 
que percebemos o outro e como ele nos afeta ou não, e principalmente, é a partir da 
solidão que percebemos tudo o que nos cerca. a solidão é uma sombra que nos
acompanha a todos os momentos de nossa vida, de uma viagem no ônibus-metrô até as
crises existenciais embaixo do chuveiro durante o banho. agora, o que fazemos com a
nossa solidão, essa seria a questão, como li uma vez, “armas não matam, quem mata são
as pessoas que as usam”, a solidão não é algo ruim, tudo depende de como ela está sendo
usada.  o que você faz da sua solidão, da sua própria companhia e das reflexões sobre si
mesmo, e de tudo que te cerca, que te move? esse é o ponto, é isso que determina se a
“solidão” será boa ou não para você. enfim, aproveite a sua solidão da melhor maneira possível. 

domingo, 25 de junho de 2017




na maioria das vezes
as pessoas não gostam de cuidar
ou compartilhar carinho
de lembrar do outro
de acompanhar, saber se está tudo bem
olhar nos ramos dos cabelos alheios
perceber se estão murchos
se os galhos dos braços estão secos e tristes
as pessoas não querem aguar a terra alheia
por isso elas criam cactos
eles não precisam de tantos cuidados
nem de proximidade e atenção
ficam lá quietinhos
todos saem "ganhando"
o cacto vive triste e isolado
e a pessoa tem uma planta para chamar de sua
mesmo que de longe.





no inverno algumas pessoas ficam mais elegantes outras morrem de frio.

segunda-feira, 12 de junho de 2017





se relacionar 
é complexo e doloroso 
seja consigo mesmo 
com sua família 
com uma animal de estimação 
ou com um amor (possível ou em concretização)
se fosse fácil
não se chamaria ser humano.

domingo, 11 de junho de 2017





planejamos um caminho
mas as dificuldades do percurso
nos proporcionou atalhos, porém
as coisas mais bonitas que vimos juntos
estavam nesses atalhos

não chegamos a lugar algum
e mesmo assim me sinto contente
de estar perdido ao lado de quem amo






já passei por tanta coisa ruim
que quando algo menos ruim me acontece 
parece até bom

sei que não é louvável 
pouco ou muito, conscientemente
ninguém gosta de sofrer

mas é que 
já passei por tanta coisa ruim
que as coisas ruins 
que estão me acontecendo nos últimos dias
nem parecem tão ruins assim. 

quinta-feira, 9 de março de 2017




é tão bom e triste visitar os lugares que frequentávamos, hoje sentei 
naquela pizzaria que sempre íamos juntos, foi estranho retornar lá 
sem você, lembro que nessa ocasião, nossos beijos eram regados 
a mussarela, tomate e orégano, sem cebola na minha parte e com muita 
na sua. outro lugar que sempre íamos juntos era o cinema de rua, quase 
nunca nos beijávamos lá dentro, ficávamos vidrados no filme, era bom 
ter sua mão segurando a minha, dava a sensação de aquecimento perante 
ao frio do ar condicionado. esses dias também ousei sentar numa das 
mesinhas de madeira da lanchonete onde semanalmente ficávamos com os 
sorrisos roxos de tanto comer açaí. que estranho, já se passaram tantos 
meses, mas parece que um pouco da gente ficou nesses lugares, 
no colchão onde dormíamos, nas paredes que assistiam nossas intimidades, 
nos objetos que compartilhávamos um com o outro, a gente existiu nessas coisas
todas, num passado que talvez não tenha sido tão bom quanto queríamos, 
mas que foi necessário, obrigado por tudo.

domingo, 5 de março de 2017





começo esse texto sentindo saudade sua, sabendo que você está longe, 
que geograficamente estamos distantes um do outro, que não podemos nos tocar, 
e sim, isso nos afeta, nos destrói, nos reconstrói. mas a distância nunca foi um problema,
de perto ou de longe, sempre nos constituímos na solidão compartilhada, no silêncio
agradável, na troca de energias e fluídos. sabendo que cada um de nós tem seus próprios
sonhos e objetivos, e que isso naturalmente nos faz trilhar caminhos diferentes, mas por
sorte temos conosco isso que costumam chamar de amor, que por sua vez se torna um
amenizador das angústias provocadas pela vontade de estar fisicamente juntos. confesso
que nunca fui bom com distâncias, elas me destroçam, nasci com obsessão pelo toque,
sempre quis pegar em tudo que acredito e desejo, sempre gostei do abraço
demorado/apertado, de sentir o calor do corpo alheio na pontas do dedo. acho que é por
isso que neste momento estou comprando uma passagem em destino a sua nova cidade.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017





eu gostei de você desde quando te conheci, já te falei isso,
quando estou tomando café, fico pensando que deveria ser
obrigatório que você estivesse perto, que você tomasse café
perto de mim. antigamente, eu lembrava de você por outras
ocasiões, mas hoje não, eu olho pro café quente, exalando fumaça,
e lembro do seu abraço quente e apertado. acho engraçado,
até sorrio só de pensar, como o amor se ressignifica e se esconde
nessas coisas mais simples, o ato de fazer um café, sentar para toma-lo
e sentir a falta sua.

domingo, 19 de fevereiro de 2017





que saudade de você dentro de mim ou seria eu dentro de você, 
não sei bem, parece que nessas horas nos tornamos um só. 
sem espaços para pensamentos aleatórios, parece que estamos suspensos 
sobre a órbita de um mundo paralelo, onde só existe nossos corpos, 
olhando para nós mesmos. tudo parece tão bom, que precisa acabar logo, 
pois essa sensação carece de pausas, nem tudo poderia ser tão delicioso para sempre. 
é o intervalo que nos faz querer mais, e mais, e mais um do outro.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017




queria morrer na curva dum poema
tipo ayrton senna 
morrer fazendo o que ama
com os desejos em dia
o tesão pulsando pelo corpo
sem meio termo, sem freio
um passo para o abismo
um passo para a eternidade 
mas sou covarde
escrevo isso 
entre o intervalo duma procrastinação
e um copo de café

no máximo
morrerei de tédio

sábado, 4 de fevereiro de 2017





nosso amor
foi pigarro
que carreguei comigo
entalado na garganta
não conseguia engolir, nem refutar
quando pensava que tinha me livrado
que tinha descido
percebia que ele ainda estava em mim
me falhava a voz
me coçava por dentro

um certo dia
ele desceu
amargo e necessário
abrindo espaço
para novos pigarros.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017





não caibo mais em mim, tudo o que sinto parece transbordar 
meus poros e orifícios. secreções, doenças, palavras, frases, 
risadas, desejos, grunhidos, gemidos, linguagens etc., 
se me calo por alguns segundos, parece que vou implodir 
de dentro para dentro. parece que a gravidade do peso da vida 
vai ganhando mais espaço com o passar dos dias, ocupando todos 
os cantos vazios dentro de mim, não me suporto mais, estou sopitando 
sensações, que vão além da frágil noção de bem e mal, as vezes 
quero tudo que sonhei, as vezes o que eu quero é desistir. 
ah, como sinto pena deste recipiente onde resido, 
será que ele vai suportar a instabilidade da minha existência? 

domingo, 29 de janeiro de 2017





deve ser muito triste ser hétero macho alfa pica das galáxias
ter a todo momento a sua frágil masculinidade colocada a prova 
precisar mostrar aos outros héteros e para a sociedade 
o quanto gosta de xota, o quanto sabe ser forte e quase que insensível 
demonstrar que azul é a cor mais fria, que homem nasceu pra ser "homem" 
e no fim, temer o toque alheio, o arrepio das possibilidades

não tenho nada contra héteros, até tenho amigos que são
na verdade eu sinto é pena, mas as vezes eles bem que merecem. 

sábado, 28 de janeiro de 2017





nós que nos achamos perdidos por aí
escolhemos nos compartilhar
e viajar do céu ao inferno todos os dias
tínhamos tudo pra dar errado
e estamos dando certERRADcerto

percebi que poderia ser amor 
por causa do silêncio
o nosso silêncio era diferente
ninguém tentava convencer ninguém
quando não tínhamos mais o que falar
nos calávamos e conversávamos com o corpo

percebi que poderia ser amor 
num dia desses que fiquei com vontade de te matar
acho que você também já quis me matar(sempre quer)
e aí do nada a vontade de matar 
vira vontade de dar carinho

quando estamos longe
sem sinal, sem wi-fi, sem tato
a cabeça virava uma bagunça
só eu, você e deus sabemos 
como é bom o gosto do reencontro 

me dividir com você me constrói, destrói e reconstrói
para no final estar mais forte ainda comigo mesmo

por alguns momentos esqueço de muitas coisas
vazio, solidão, angústia, cachaça, fumaça
e levo comigo muitas outras
felicidade, prazer, aconchego, amizade, vida
cachaça, fumaça

sempre nos amamos
cara aberta ou fechada
perna cruzada
ou entrelaçadas
tapas na minha cara
ou na sua bunda
um grito ou um leve sussurro
eu no céu da sua boca
você dentro de mim

sábado, 21 de janeiro de 2017






meu cheiro 
de naftalina 
veio de ânus
dentro do armário.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017












estou com uma dor nas costas, que sinceramente não sei explicar, não sou 
dos mais jovens, mas também não tenho idade pra uma dor assim, já faz 
alguns dias, e não passa. as vezes parece que a dor flui das costas para a 
caixa torácica e se estende ao peito, entre os pulmões. sinto que o ar que 
inalo não cabe mais em mim. o vento parece carregar em si o peso das 
instabilidades e angustias da vida que me cerca, respirar está acabando 
comigo, me tornei um fumante passivo dos problemas do mundo. parece 
que estou morrendo, mas nunca morro.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017






eu quero a sorte de um amor 
que bagunce a minha vida 
com sabor de pizza amanhecida

nós na calmaria de um furacão
cheios de instabilidades
mas sem soltar as mãos
ser teu cigarro e tua bebida
todos os porres que aguentarmos nesta vida.

sábado, 13 de agosto de 2016





na monotonia 
de uma vida vazia

qualquer tragédia
é alegria.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016





quantas camadas de pele
não perdi dos lábios
imaginando que você já vinha

quantas vezes 
não limpei a casa
coloquei tudo em ordem
troquei os lençois
acendi um incenso 
aquele seu preferido

e você 
não vinha.

terça-feira, 12 de julho de 2016







se é para cumprimentar dando beijinho
me beija com vontade

estou cansado
de levar bochechadas.

segunda-feira, 13 de junho de 2016





o por do sol 
entrou pela janela 
e pousou 
sobre a conta de luz e aluguel 
coladas na parede 
refletindo a existência.

domingo, 5 de junho de 2016






gostava de natureza
ar puro
plantas
e animais.

mas só em feriados
sábados e domingos

não suportava mais de três dias
sem respirar poluição
ouvir o barulho de caos
sentir o cheiro de gordura
das lanchonetes que frequentava
esbarrar em pessoas que andam lentamente
pelas calçadas das lojas em promoção
se intoxicar de fast-food
e assistir pela janela do ônibus
o pior seriado que já acompanhou
o da vida moderna

segunda-feira, 11 de abril de 2016






gostava de abismos
buracos negros
ondulações gravitacionais
galáxias infinitas
em olhares dispersos
se perdeu 
entre o vão do sentimento
e a palavra que o define.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016





adoro aquela barriguinha
que mais cedo ou mais tarde
se formará entre o umbigo e a púbis
principalmente, se você estiver sentado

gosto dela
pois é insistente
resiste a chás, dietas, detox, flexões
corridas, personal trainer
e toda a teimosia humana

é cheia de história
charmes e cócegas
e pode ser pega num beliscão

me faz lembrar que todos
somos iguais
mesmo fugindo
seremos sempre essa espécie
barrigudinha.

sábado, 9 de janeiro de 2016





carregava no rosto
todas as incertezas
de um final de mês

e na alma
o equilíbrio
entre o sei lá
e o talvez.

terça-feira, 6 de outubro de 2015




o cansaço
vem roubando
os sonhos de mim
cada dormida é um apagão
sem sonhos ou pesadelos
apenas um imenso vazio
escuro e reconfortante
de estar em queda livre
sem céu, sem chão
longe de tudo, longe do mundo
quem precisa de sonhos
quando se tem o vazio?

sábado, 19 de setembro de 2015




sentia-se envelhecer mais rápido que todos
aos 18 anos, dizia ter mente de 30
coluna de 60 e humor de 70
aos 25 era tão ranzinza 
quanto um idoso de 80
orgulhava-se disso
e seu corpo caminhava mesmo aos 30
mas sua alma já havia falecido
motivo? envelhecimento precoce.

terça-feira, 8 de setembro de 2015



os históricos de pesquisas no google
também podem ser poesias:

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como curar a ansiedade generalizada
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quando acontece as estações no brasil.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015



é comum ao ser humano
em algum momento da vida
dançar a dança da indecisão
aquele momento em que
frente a outra pessoa
você fica preso num pequeno zig zag
ambos vão a esquerda
ambos vão a direita
até que alguém erra o rumo
e o desencontro vira liberdade
o que não é comum, mas pode acontecer
é que esse forró dois pra lá dois pra cá
aconteça numa faixa de pedestre
com famigerados automóveis
vindo em direção aos bailarinos
que sorriem um ao outro
como quem sorri de nervoso
enquanto a morte se aproxima
a exatos 80km/hora.

domingo, 2 de agosto de 2015



trocávamos silenciosos olhares
parecia um novo idioma, só nosso
ou sei lá, telepatia mesmo
a gente se entendia muito
a gramática e a sintaxe 
do correr dos seus olhos
me permitia ler coisas como
quando queria que tirasse sua roupa
e juntos fossemos só um
quando explodindo em iras internas
ainda carregava um sorriso no rosto
ou quando chorava para dentro 
todas as lágrimas de um dia difícil
até quando estava com fome
dava para ler em seu olhar
faltava palavras 
sobravam essas divagações.

terça-feira, 21 de julho de 2015

você foi apenas um "também"
de passagem por vidas alheias
explico:


como eu gosto de você!
- também!
saudades suas
- eu também.
queria você aqui comigo
- eu também.
nosso sexo é tão bom
- também acho.
vamos fazer algo diferente esse fds?
- também queria, mas o que?
estou nos sentindo tão distantes
- também percebi isso
acho melhor a gente dar um tempo
- também
adeus
- também.

sábado, 4 de julho de 2015

o setor são domingos
faz jus ao nome de santo
sobra igreja
falta igualdade social
no vale dos sonhos
85% dos sonhos acabam 
em mão de obra barata
shoppings e subempregos por aí
dizem que no bairro feliz
é perigoso andar na rua 
após o anoitecer
já na vila mutirão 
ninguém se ajuda
é cada um por si
não da nem pra saber o nome do vizinho
a vida não deixa
o setor fama
polo industrial da moda
é também famoso 
pelos desconhecidos costureiros
que as confeccionam 
já o jardim nova esperança 
o nome diz tudo
esperança.

domingo, 24 de maio de 2015

sabia que havia algo de especial nela
todas as vezes que iam ao mercado
das poucas compras que faziam
observava ela ensacar
maçã verde com álcool em gel
legumes com shampoo, leite com arroz
e nutella com guaraná
estranhamente via nisso um bom sinal
logo ele, que era pessimista em tudo.  

quarta-feira, 6 de maio de 2015


me desculpem os tropeços
confesso, não estou habituado
a ter a idade que tenho
quando estou me acostumando
a vida vem 
e me consome 
mais um ano. 

terça-feira, 10 de março de 2015

- sou louco por ela
- e ela?
- só é louca mesmo.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

respeite
a solidão alheia
e todo o silêncio
que vem de dentro
da mesma forma
respeite
o excesso 
respeite
o momento
o motivo
respeite
o que vem do outro.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

vi um casal de idosos 
andando de mãos dadas
a coisa mais fofa
suspirei, pensei, caraca, que lindo
mas isso nunca vai acontecer comigo.


assim como um cientista 
que arrisca testar 
o seu novo experimento
em si mesmo
a ponto de assumir 
o risco da descoberta
ou da morte
é o poeta
e sua poesia
espelhada no universo 
do seu dia a dia.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

não sou vingativo
mas sempre que uma muriçoca 
me rouba o sangue
devolvo no tapa.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

a gente acostuma tanto
a ficar sozinho
que quando aparece alguém
querendo cuidar da gente
a gente estranha.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

fico pensando
como seria a vida
se enviássemos aquelas mensagens
que escrevemos e reeditamos para enviar
e que as vezes nem enviamos ?

domingo, 19 de outubro de 2014

as vezes fujo da vida
como uma noiva
que chega atrasada ao próprio casamento
e percebe que todos aqueles juramentos
são uma grande cilada
e sai da igreja correndo
soluçando e chorando
de tanta alegria.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

hoje estava reorganizando meu quarto
desde de que você foi embora
não tive coragem de mexer nas suas coisas
nas nossas fotos, presentes e mimos 
deixei tudo como sempre esteve
mas hoje de madrugada
senti que precisava arrumar esse quarto
dizem que o quarto reflete a vida da gente
o meu está uma bagunça
fui retirando de gavetas, prateleiras
guarda roupas, bolsas e mochilas
tudo o que já foi nosso
e não nos representa mais
olhando assim
ficou um enorme vazio
mas dessa vez me sinto contente
porque esse vazio não é mais em mim
ficou apenas nas prateleiras e móveis do quarto.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

sempre que ficava só
deixava uma música tocando
para não ter a sensação
de estar sozinho.
as vezes me sinto
igual uma folha 
que após se soltar da arvore
vai de acordo com o vento
voando rumo ao chão
num voo lindo e breve

para alguns, outono
para outros, suicídio

para a folha
foram cinco segundos 
da melhor viagem de sua vida.

sábado, 4 de outubro de 2014


não importava qual fosse a ferida
na pele, no peito, na alma
nunca conseguia parar de cutucar
sempre arrancava as casquinhas
e atrapalhava a cicatrização natural das coisas
gostava de sentir aquela dor 
que mais se parecia uma cosquinha 
até tentava se controlar
mas já era tarde
estava viciado em arrancar 
as cascas de seus machucados.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

quase sempre
morria de medo
mas fingia que não
quase sempre
morria de amor
mas fingia que não
quase sempre
morria de tudo
mas era bom em fingir 
talvez a vida fosse isso.

terça-feira, 9 de setembro de 2014


olhar as pessoas nas ruas
ficar pensando como seriam elas
se estivessem nuas
apostar corridas imaginárias
quem chega primeiro naquele poste
eu ou aquele caminhão verde?
andar dois quarteirões
sem pisar em rachaduras das calçadas
contar silenciosamente
quantos passos andei de casa até o trabalho
quantos segundos aguento sem respirar?
quantos segundos sem piscar os olhos?
ainda bem que ainda não fiscalizam pensamentos
se não poderiam achar que sou doido

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

nós temos na língua portuguesa
mais de 400 mil palavras
eu não consegui usar nenhuma delas
pra evitar que você fosse embora.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

amo o centro 
e sua diversidade
prédios novos, antigos
pessoas do curitiba três ao marista
becos, mendigos e polícia
vendedores de frutas, churros e espetinho
chips da tim, oi, vivo
ruas cheias, ônibus cheios
fachadas, letreiros, panfletos
compra-se ouro, amolam-se alicates
mil e uma lojinhas de um e noventa e nove
conversas fiadas em botecos fuleiros
uma desordem total, que nem a vida mesmo
e depois das vinte horas
só o vento passeando sozinho
pelas ruas e avenidas
da até dó, eu até ficaria 
pra fazer companhia pro vento
mas eu não moro no centro
o centro é que mora em mim.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

e a previsão
da falta de tempo
para hoje
são de:

pancadas
de pessoas
adiando o dia
odiando o dia

chuva de granizo
do lado esquerdo
do peito

correntes de pensamento
que chegam a atingir
500km/hora

e massa de ar frio
após o expediente.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

é curioso
como tudo acontece
de forma rápida e leve
a gente nem percebe
e já está adulto
olhando para trás
pensando em tudo
ao nosso redor
sentindo falta
mirando o futuro
com braços trêmulos 
de quem teve um dia cheio
e por alguns instantes
tudo parece instigar
a carência estranha
que não da pra suprimir
com nada que vejo por aí
parece que a fuga 
tem que ser outra
mas qual? 
se já tentei fugir 
e cada vez mais
corro pra dentro de mim.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

de nada adiantou
a dureza na alma
e todos os nãos 
que soltava
no final 
sempre se entregava

de nada adiantou
todos os caminhos
se não chegou 
a nada

de que adiantava 
o mundo
se não podia tê-lo 
num segundo

pra que isso tudo?
estou só de passagem
vou apreciar
mais a vista

pode ser que eu fique
talvez eu vá
não sei
depende.

sábado, 7 de junho de 2014

estou te abraçando
e te dando um beijo na testa
espero que sinta isso
onde estiver agora.

terça-feira, 3 de junho de 2014

até que a morte 
os separe
disse o padre

morreu o desejo
a saudade e o tesão 

o respeito agonizou
mas não aguentou os ferimentos
morreu a caminho do hospital

o amor foi forte
mas também se foi
se foi lentamente 
dia após dia
mas também morria

só a gente ainda vivia
em coma induzido
pelas correrias do dia-a-dia

ah se o padre soubesse
aposto que teria dito

até que a vida 
os separe.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

olhava pro seu rosto
e chorava
na verdade
não sabia o motivo
talvez fosse isso de ser humano

parecia tristeza
talvez fosse

mas faltavam palavras
sobravam lágrimas
olho ardendo

só de te olhar
vinha o pranto
será que você me faz chorar?
ou é a vida mesmo?

nunca entenderei ao certo
o que foram aqueles momentos
pareciam banhos
na alma suja de poluição
do dia a dia, das coisas e pessoas

só sei que agora estamos
leves, livres e lavados.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

justiça com as próprias mãos
deveria ser o ato de usá-las para:

folhear livros bons
coçar o ouvido
fazer carinho em cabelos alheios
escrever poesias
tocar um instrumento musical
fazer cafuné em seu animal de estimação
tocar o próprio corpo
despir a pessoa amada
coçar a barba(sua ou de quem você deseja)
distribuir abraços
apertados

sábado, 5 de abril de 2014

nunca se mata a fome
no máximo ela dorme

a fome também tem fome
ela come um ser humano 
a cada cinco segundos no mundo

mas de barriga cheia
quem se importa com essas bobeiras

segunda-feira, 31 de março de 2014

ao se relacionar com alguém
não seja babaca
mesmo não sendo eterno
trate com carinho, seja sempre amigo
não jogue desavenças no chão
dê descarga em tudo de ruim
apague a luz ao sair
lembre-se, outra pessoa precisará
desse amor que você sonegou.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

não é que falta amor
amor nós temos de sobra
o grande problema do mundo
sempre foi a má distribuição
de tudo que produz

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

nem deus
nem homem

na verdade
o centro do mundo
são várias notas
de cinquenta dólares.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

estava evitando
matar baratas
pisar em formigas
e roer as unhas.

mas não conseguia
evitar você.
para o almoço
tínhamos apenas
arroz, ovo, pimenta e farinha
mas mamãe cozinhou 
com tanto carinho
que o almoço veio com sabor
de iguaria.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

pessoas não são os uniformes que vestem
nem o emprego que tem
na verdade
atrás de todo balcão
tem uma pessoa, gente como a gente

isso vale de gerente de banco
à vendedor de chip da tim/oi/vivo(com R$10 de créditos)

as vezes si esquece que o menino
do spoleto fala(grita) rápido
por que ninguém pensa em dizer

-bom dia rapaz, vamos com calma
me faz um espaguete, por favor

geralmente já si chega dizendo:
bacon, palmito, cebola
e uma coca!

o gari nem se fala
apesar da farda laranja florescente
parece até um ser invisível
anda por aí
varrendo e escondendo a cara do sol
as vezes o povo é o sol

o garçom tadinho
só recebe xingamentos
assobios e reclamações do preço da conta
- OU, PRIMO, DESCE MAIS UMA AQUI POXA!

se lembrem que a moça do caixa
não é dona do mercado
se faltar no caixa dela
ela tem que pagar do salário
nessas horas o bretas agradece a pressa dos clientes

professor, vissh
tinha que ser canonizado
planeja todo o conteúdo didático
pra aguentar um sala de aula
cheia de rafinhas bastos e danillo gentilis

motorista de ônibus recebe a culpa
pelos donos das empresas
nem vou falar dos atendentes de call center
que são pagos pra receber os xingamentos
no lugar dos patrões
- e a gente xinga mesmo.

vendedor ambulante
é o mais hardcore
não paga imposto direto
mas também não sabe qual mês
tem salário mínimo
ou qual mês queCORRE, CORRE, O RAPA TÁ VINDO!

hoje foi um daquele dias
que eu olhava pro pessoal que atende a gente por aí
e dava vontade de abraçar cada um e dizer
- cara, vocês são fodas de aguentar a gente
e o salário que tem.